TOTAL

Indústria de bens de capital

Vide  Configurador de produtos                                                      Custo industrial
Formação de preço                                                                Romaneio, packing list
Alertas de alteração de engenharia                                         Recebimentos do contrato
Adiantamentos de clientes                                                      Adiantamentos a fornecedores
Adiantamentos de contratos de câmbio                                    Notas de débito
Balancete por contrato e aplicação                                          Custeio por absorção
TOTAL                                                                                  Previsão de fluxo de caixa

Como melhorar o desempenho de uma indústria de bens de capital?

Quais os pontos críticos?

A indústria de bens de capital sob encomenda, também conhecida como ETO (Engineer to Order), apresenta características específicas, com fortes reflexos na gestão:

  • longos tempos, desde a elaboração da proposta até a montagem final;
  • riscos e custos resultantes da natureza única de cada contrato, com fluxo de caixa essencialmente negativo, e retorno esperado a longo prazo, frequentemente com incertezas técnicas, começando pela elaboração da proposta;
  • compras e produção específicos de cada contrato;
  • finanças e contabilidade focados nos contratos.

Da combinação tempo x custos x riscos resulta um ambiente técnico e financeiro complexo, que exige processos de gestão adequados, por sua vez calcados em mecanismos de aprendizado.
O fluxograma abaixo mostra, em laranja, as principais etapas da produção ETO/MTO e, em amarelo, os requisitos a ser satisfeitos pelo ERP.

Fig 1. Etapas da indústria ETO e o papel do ERP

Do ponto de vista físico, cada produto final é fabricado através de um conjunto de ordens de fabricação (OFs), sendo que a OF de um item consome outros itens, de nível imediatamente inferior na estrutura de produto. Cada OF é formada por um conjunto de atividades, ou operações.

Na produção ETO, as atividades de uma OF podem não ser consecutivas, mas constituir uma rede de atividades, da forma utilizada na gestão de projetos. Para fins de planejamento de compras e produção, é interessante que se possa indicar em que atividade da OF é consumido cada insumo, e para tal é necessário que a estrutura de produto seja integrada ao roteiro de produção. Isto permite uma melhor sincronização, resultando em compras e produção mais enxutos.

Analisemos as etapas mostradas no fluxograma:

1. A elaboração da proposta

A proposta técnico-comercial de um produto ETO deve ser elaborada em tempo e a custo limitados, e resultar em um preço final realista. Vencer uma concorrência por um preço baixo demais pode ser mais prejudicial do que deixar de vencê-la. Além disso, a maior parte das propostas não se converte em pedido, de forma que o seu custo tem que ser diluído entre os contratos confirmados. Estas questões podem ser tratadas através de funcionalidades como:

  • Engenharia paramétrica simplificada: configurador de produtos, dispondo de interfaces adequadas com aplicativos de CAD/PDM genéricos e específicos da classe de produtos. Esta funcionalidade continua em utilização na fase de engenharia detalhada.
  • Orçamentação: o cálculo do custo industrial requer a atualização constante e automática dos custos unitários, através de apontamentos de mão-de-obra e procedimentos contábeis, tais como o rateio de custos indiretos.
  • Planilha de formação de preço: no caso de produtos com longos lead-times de produção, a planilha deve incorporar:
    • projeções de custo de material e mão-de-obra;
    • hedging cambial, para proteger as compras em moeda estrangeira da variação cambial;
    • previsão do fluxo de caixa e consideração do custo financeiro resultante do descompasso entre cash-in e cash-out.


Fig 2. Estrutura multinível com cálculo de custo industrial

2. Engenharia pós-venda

Na indústria ETO, a quantidade a ser produzida a partir de cada projeto é pequena. O custo da engenharia corresponde, portanto, a uma fração significativa do custo total de cada unidade produzida.

A engenharia detalhada deve ser uma continuação da engenharia simplificada realizada na elaboração da proposta, utilizando, de forma geral, as mesmas funcionalidades:

  • a interface bidirecional com o sistema de CAD/CAE assegura a consistência entre a base de dados do ERP e do CAD/CAE. A interface mais usual, de simples exportação de estruturas de produto do CAD/CAE para o ERP, exige diversos cuidados adicionais para a manutenção desta consistência, enquanto na interface bidirecional toda criação de itens é feita simultaneamente no CAD/CAE e no ERP.
  • a pesquisa paramétrica de itens facilita a utilização de itens preferenciais, resultando na padronização da engenharia, com reflexos positivos na gestão de suprimentos e produção.
  • por permitir o armazenamento do histórico detalhado de cada projeto, podem ser restauradas situações (engenharia, custo) de diferentes momentos.


Fig 3.  Aplicativo de CAD inserindo um novo item no TOTAL

3. Planejamento, suprimentos e produção

Na indústria ETO, é usual a superposição entre engenharia, planejamento, compras e produção. Para manter a qualidade do fluxo de dados e material, há forte necessidade de sincronização, implicando uma boa qualidade da comunicação, formal e informal, entre essas áreas. Como manter o sincronismo, face a atrasos, alterações de engenharia e outras perturbações?

Pode-se citar, como exemplo dos requisitos resultantes sobre o ERP:

  • listas avançadas de materiais críticos, de longo prazo de aquisição, antes do detalhamento da engenharia, aceleram o início da produção.
  • listas de cotações específicas de cada contrato, tratadas por e-mail ou web com os fornecedores qualificados, aceleram a pesquisa e aquisição de insumos, com reflexos tanto na elaboração de propostas, como na produção.
  • alertas automáticos de alterações de engenharia permitem a alteração imediata (antes mesmo de sua propagação pelo MRP) em ordens de compra ou de fabricação, resultando em economia de tempo, material e trabalho.
  • mecanismos de análise dos efeitos de eventuais atrasos ou adiantamentos sobre a disponibilidade de insumos, e carga-fábrica aceleram as ações corretivas.
  • o apontamento da mão-de-obra associada a cada atividade de uma OF informa a sua situação, tanto em percentual realizado, como em horas consumidas. A associação de cada OF ao contrato ou uma de suas partes permite a monitoração da produção, tanto física (cronograma), como financeira (custos de material e mão-de-obra), resultando na atualização permanente dos indicadores físico-financeiros do contrato.

Conforme mencionado anteriormente, a existência de um portal para fornecedores beneficiará diversas funcionalidades, tais como previsões de demanda, gestão das cotações, emissão das ordens de compra e follow-up. Finalmente, a associação entre as atividades da produção e as macro-atividades a nível de “projeto” deve ser automática, seja internamente ao ERP, seja através de uma interface automática com aplicativo externo de gestão de projetos. Ressalva: as funcionalidades citadas neste parágrafo ainda não são integralmente atendidas pelo TOTAL.

4. Listas de expedição (romaneio, packing list)

As movimentações de materiais de fornecedores e terceirizados para a própria empresa, da própria empresa para clientes e locais de obra, bem como as transferências diretas de fornecedores e terceirizados para obras e clientes, são parte integrante da cadeia logística.

Na indústria de bens de capital, é comum que os itens transferidos para o cliente, ou a respectiva obra, não sejam os produtos finais, mas sim partes da sua estrutura de produto. Um dos desafios, neste caso, é a visibilidade da situação:

  • O que já foi enviado?
  • Em que nota fiscal, data e veículo?
  • Consta de alguma lista de expedição (“packing list”) para envio futuro?
  • O que falta enviar?

A falta de resposta a estas questões pode acarretar envios duplicados e faltas, ocasionando atrasos e sobrecustos.

A definição dos itens a transportar para a obra (os itens de romaneio) pode ser feita já na fase de engenharia, ficando esta informação incorporada à estrutura de produto e suas diferentes manifestações. Por exemplo, na estrutura multinível podem ser identificados os itens de expedição, ficando claro quais já foram enviados, por que data e meio, bem como os que já fazem parte de alguma packing list a enviar e os que ainda não foram enviados nem participam de qualquer lista.

As alterações de engenharia geram alertas para o romaneio. Quando, após a definição dos seus romaneios, é alterada a estrutura de produto, são gerados alertas para que estas alterações sejam incorporadas às listas de expedição.

5. Contabilidade e gestão de contratos

Tanto por requisitos gerenciais, como fiscais e contábeis, é necessária a gestão individual de cada contrato, incluindo:

Estas informações podem ser apresentadas de forma específica para cada contrato, tais como:

Isto exige a associação de cada documento, material e trabalho com o contrato, e com cada item do contrato. Ordens de compra, notas fiscais, reservas, estoque e movimentações de material, fretes e despesas, toda agregação de valor prevista ou realizada deve ser associada ao contrato e suas partes.

O custeio por absorção dos itens concluídos e em elaboração considera os custos diretos, e rateia os custos indiretos, através dos centros de custos, exigindo modelos de contabilidade adequados.

Fig 4. Resultado mensal do custeio, por unidade do contrato (aplicação).

6. Indicadores físico-financeiros

Os indicadores oferecem uma visão sintética da situação física e financeira de cada contrato e suas partes. A sua atualização deve ser automática, sem depender de redigitação ou transferência de dados.

Alguns dos indicadores de contrato mais importantes são:

  • o percentual realizado relativamente ao previsto (orçado) indica a situação de atraso ou adiantamento do contrato e suas partes.
  • a comparação do valor orçado em trabalho e material com o trabalho efetivamente realizado e material efetivamente consumido indica a situação financeira relativamente à proposta, em termos de sub- e sobrecustos.

7. Qualidade

A rastreabilidade e a gestão das não-conformidades de forma integrada
à gestão de materiais permitem visualizar a história de cada contrato, e
de suas partes, do ponto de vista da qualidade. Conhece-se, assim, a
origem de cada insumo, bem como as inspeções e eventuais
não-conformidades que sofreu.

Leitura sugerida

  1. Bjorklund, Jakob, “Lean enterprise development in complex engineer-to-order companies”, documento solicitado através do site http://www.ifsworld.com/us/.
  2. Bjorklund, Jakob, “10 ways to use ERP to lean the manufacturing supply chain”, documento solicitado através do site http://www.ifsworld.com/us/.

 


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